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Inovação na Cadeia Têxtil e na Moda

09/04/2018

O SENAI CETIQT promoveu, na última semana de março (26), o Ciclo de Encontros com a Indústria com foco em Inovação na Cadeia Têxtil e na Moda. Representantes da FIRJAN, Sebrae, IED, ANPROTEC e os principais desenvolvedores de soluções em educação, tecnologia e inovação do país marcaram presença na Unidade Riachuelo.

A programação do encontro contou com um dia inteiro de palestras, painéis e bate-papos. No primeiro painel, sobre “Visões de Inovação dentro da cadeia têxtil”, o estilista Renato Cunha falou sobre a movimentação internacional em torno da reciclagem de materiais para transformação em fibras têxteis. Entre os exemplos já existentes no mercado, estão os pilotos de tecidos feitos com resíduos plásticos e redes de nylon descartados nos mares, além dos fios feitos da caseína do leite, da borra de café, de soja e de semente da mamona.

O estilista apresentou ainda as tendências da Wearable Technology, ou Tecnologia Vestível. São roupas e acessórios inteligentes confeccionados com tecidos e materiais que captam a energia solar e cinética para alimentar os dispositivos instalados na trama do tecido. Essa tecnologia poderá ser usada, por exemplo, na área biomédica, para monitorar a saúde das pessoas. No ramo esportivo e fitness já existe um movimento de tramas com sensores que monitoram e auxiliam os exercícios físicos, como um personal trainer de inteligência artificial.

Em seguida, a representante da Dupont, Desiree Cerqueira, falou sobre ciência integrada, produtos químicos e tecnologia industrial para uso militar utilizada em tecidos com proteção balística e ainda com camuflagem infravermelha. Já Gustavo Miranda, da TNS Antimicrobial Solution, apresentou oportunidades e tendências em nanotecnologia, com soluções antimicrobianas para aplicação em tecidos e outras superfícies.

Adriano Passos, pesquisador do Instituto SENAI de Inovação em Biossintéticos – ISI e Joyce Quenca, Diretora da Biodiversitè falaram sobre a pesquisa desenvolvida no SENAI CETIQT para transformar pigmentos extraídos da casca da castanha do Brasil e do Baru em corantes industriais para tecidos.

“Estamos bem estruturados nacional e internacionalmente no ramo de cosméticos, mas no segmento têxtil estamos começando agora. Esse evento está sendo nossa mola propulsora porque estamos tendo a oportunidade de nos conectar com pessoas do ramo da moda. Queremos nos aproximar cada vez mais desses profissionais para que possamos alavancar os investimentos da empresa nessa área”, pontuou Joyce.

Já o também pesquisador do ISI George Faria falou sobre o desenvolvimento de um material antichama de baixo custo por meio da nanotecnologia, realizado na Planta de Fibras Químicas do SENAI CETIQT. Nesse processo, emprega-se uma nanopartícula comercial, atóxica e de fácil incorporação à fibra que forneça um efeito permanente no tecido. Ensaios preliminares já indicam uma excelente capacidade do material na não propagação de chamas.

Encerrando a primeira parte do evento, a pesquisadora Lia Coelho falou sobre o “Cashmere Brasileiro”, desenvolvido por ela. O projeto, inédito no mundo e realizado em parceria com o SENAI CETIQT, mostrou que o fio pode ser colhido de três raças de cabras encontradas facilmente no Brasil. E o que é melhor: possui qualidade superior às fibras dos grandes produtores mundiais de cashmere, como China, Austrália e Mongólia.

“Após visitar diversas fazendas de cabras, descobri que podemos coletar cashmere em sete regiões do país. No Nordeste, encontramos em Taperoá, na Bahia, o fio mais fino do mundo, com três micrômetros de espessura, contra 12 micrômetros dos principais produtores do mundo. O projeto já está concluído. Precisamos agora de uma empresa investidora disposta a realizar todo o processo, desde a coleta do pelo e a produção do fio, até a confecção do tecido e das peças”, explicou a pesquisadora.

Inovações na cadeia têxtil: discussões sobre o futuro

Na parte da tarde, o engenheiro do Instituto Tecnológico da Aeronáutica – ITA, Gilberto Petraconi, ministrou uma palestra sobre materiais têxteis técnicos e funcionais, como a funcionalização com plasma e sua aplicação em tecidos antichama. Na sequência, o Coordenador do curso de Design de Moda do SENAI CETIQT, Marco Lobo, falou sobre inovação e tecnologia na educação, traçando um diagnóstico do design no Brasil.

O evento terminou com uma mesa redonda composta pela coordenadora de Moda do Sebrae-RJ, Fabiana Pereira Leite; o presidente da ANPROTEC (Associação de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores), José Aranha; a estilista e coordenadora do curso de Moda do IED, Yamê Reis; e a coordenadora de Responsabilidade Social da FIRJAN, Eliane Damasceno.

“Os desafios são tão grandes que é importante se reunir e colocar as instituições juntas para conversar. Então, um evento como esse, trazendo SENAI, FIRJAN, Sebrae, IED, todas as instituições que estão pensando a moda juntas, é muito rico. Muitas vezes os alunos ou jovens empreendedores querem inovar, mas não sabem como fazer. Por isso esse tipo de debate é essencial para o florescimento de novas ideias”, disse a Coordenadora do Sebrae-RJ.

O Presidente da ANPROTEC ressaltou, por sua vez, que a inovação está evoluindo muito e essa rapidez é crítica. “A grande discussão é como vamos preparar o jovem para trabalhar no futuro, um futuro que a gente nem sabe qual vai ser, que está completamente em aberto. Estamos falando da quarta revolução industrial e das mudanças que essa revolução vem fazendo nos processos industriais, de produtos e de relacionamento. Temos que preparar esse pessoal porque sabemos que eles não farão igual ao que fazemos hoje”.

 

 

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